Olá, eu sou o Maldito do blog Ditos pelo Maldito e as sextas eu costumo amaldiçoar o blog da Vanessa com a coluna Malditas Crônicas Sexuais.
O Matador de Lésbicas (parte 2)
Antes do fim da apresentação da última banda local, eu e Cidinha decidimos fazer de fato o que planejamos de maneira subtendida por entre as brincadeiras do nosso papo. Entramos em seu carro meio que saindo “a francesa”, sem despedidas aos amigos de ambas as parte, sabíamos que nossos beijos em público já haviam despertado olhos curiosos suficientes por aquela noite. Foi bacana ser a atração principal do local, roubando atenção até mesmo das bandas que tocaram no palco, mas o que estava prestes a acontecer seriam cenas de bastidores, portanto vetada aos demais.
Ela dirigia com uma postura admirável, não sei dizer até que ponto a sua opção sexual até o momento, influenciava nisso.
-Abre o porta-luvas e pega uma bolsa pequena preta com bolinhas.
Atendi ao seu pedido.
-Essa?
-Sim,... abre.
Novamente atendi ao seu pedido. Abri o zíper da pequena bolsa de couro e com muito cuidado revelei seu conteúdo.
-Você curte?
-Hum,... porque não?!
Ao caminho de casa passamos em uma distribuidora de bebidas e compramos algumas cervejas, a coisa toda parecia bem encaminhada mas nunca se sabe quando algumas delas podiam ser necessárias.
Assim que abri a porta ela já foi se sentindo em casa antes mesmo que eu pudesse recitar qualquer frase de apresentação clichê sobre residências. Nesse momento ela não poderia ter sido mais feminina, se livrou dos sapatos com apenas alguns movimentos de calcanhares e com um jogo de perna arremessou os calçados em um canto da sala, o par pousou de forma alinhada um ao lado do outro.
Eu alojava as latas de cerveja na geladeira enquanto ela fazia uma pesquisa visual em minha casa olhando calmamente cada objeto em cena, embora não fossem muitos. Eu deveria ter vergonha de levar uma mulher do gabarito de Cidinha para um lar inacabado como aquele, eu ainda estava me estabilizando na cidade e a maioria das coisas que compunham o ambiente eram emprestadas ou sobras inúteis da casa de amigos!
-Eu estou reparando na bagunça da sua casa. Você não se incomoda não é? Sabe como é, casa de homem solteiro é um fascínio para nós mulheres, rsrsrs!
-Não tem problema, não tem nada bagunçado por aqui. Tudo está exatamente onde deveria estar. Tá vendo aquela teia de aranha ali no canto por exemplo? Parte da decoração.
Ela gargalhou e me beijou.
Parece que não teríamos tempo para as cervejas, aquele beijo iniciou uma reação em cadeia. Em um ato de malabarismo fomos nos despindo e caminhando até o quarto ao mesmo tempo, braços e cotovelos esbarravam descuidados nos batentes da porta e provocavam mais risadas do que dor.
Caímos de lado na cama. A essa altura já restavam poucas peças em nossos corpos para serem subtraidas. Ela alinhou sua cabeça com a minha cintura dando início a toda ação, mas por alguns segundos hesitou como se não tivesse certeza do que deveria fazer, ou como deveria fazer, felizmente ela não demorou a lembrar. Sua língua passeava pela minha virilha com uma precisão cirúrgica, usando a ponta para fazer uma leve pressão por onde passava, ela era como uma Amazona guerreira voraz querendo parecer frágil e submissa perante seu homem, pelo menos por aquele curto período de tempo em que ninguém estivesse olhando ela queria ser apenas mulher.
Deixei que ela fosse por cima inicialmente, não que eu gostasse da idéia, mas achei que ela fosse se sentir mais confortável dessa forma. A idéia era boa, mas parecia que ela tinha uma melhor.
-Me pega de quatro, vai,...
E mais uma vez eu cedi a um pedido dela sem pestanejar um minuto se quer.
Infelizmente os cabelos curtos de Cidinha não me permitiam enroscá-los na minha mão enquanto tivesse a penetrando, mas ainda assim eu a mantive do jeito que queria desde o começo.
Pelo orgasmo dela eu notei que havia sido bem sucedido em mais um ‘assassinato’.
Ainda nus, na cama, dividíamos o mesmo cigarro enquanto ela olhava para algum ponto aleatório fixo no teto e tentava formar círculos no ar com a fumaça.
-Eu preciso te contar uma coisa.
-Pra ter escolhido o momento após o sexo para contar é porque deve ser algo realmente importante.
-O motivo de todos terem ficado nos olhando quando nos beijamos lá na festa, ... é porque ninguém está acostumado a me ver com um homem,...entende? A última vez que eu fiquei com um homem foi aos 15 anos de idade. De lá pra cá eu só tenho me relacionando com mulheres.
Mesmo sabendo o que ela tinha pra falar deixei que concluísse seu pensamento, ela devia ter reunido muita coragem para me contar aquilo, e eu não queria estragar esse momento de revelação bombástica novelista.
-É eu sei.
-Como assim? Você sabia?
-Claro, que tipo de serial killer eu seria se não soubesse escolher as minhas vítimas?